Era uma quinta-feira morna em Belo Horizonte. Tínhamos acabado de sair de um jantar na casa do Almeida, um amigo do Ricardo que morava no Caiçara. O jantar tinha sido aquela coisa chata e protocolar de sempre: vinhos caros, conversas sobre economia e esposas falando sobre decoração. Eu, claro, mantive minha postura de “Dona Luana”, a esposa troféu elegante, enquanto por baixo da mesa minha mão apertava a coxa do Ricardo, lembrando-o de quem ele realmente era.